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Resenhas do Netflix

Resenhas do Netflix

Resenhas do Netflix nunca foram tão esclarecedoras. Em primeiro lugar, soubemos que a ex-presidenta assisti o canal streaming. Porém, suas críticas a uma das séries da tal empresa não foram tão boas. De qualquer forma, despertou em mim curiosidade de saber alguns detalhes:

1 – Será que ela assistiu num smartphone?

2 – Suas resenhas do Netflix foram tão rápidas, por isto me perguntei “Ela sentou-se no sofá e assistiu freneticamente todos os capítulos, como uma fã assídua dos programas do canal?”.

3 – Considerando que ela tenha assistido numa TV Smart, é possível que tenha comido pipocas enquanto se indignava pela versão dramática de parte recente da história do país?

4 –  Ao final da série, a telespectadora deu um “Like” ou “Deslike”?

5 – Ela se controlou para não dá spolier?

6 – Será que ela postará novas resenhas do Netflix?

O que acontece hoje com as resenhas do Netflix?

 

As resenhas do Netflix ficaram muito comum. Qualquer jovem com certa alfabetização, nem precisa ser muita, consegue escrever suas considerações sobre séries e filmes vinculados no canal streaming. Gostaria de ter essa habilidade. O máximo que consigo escrever aos amigos é “muito boa”, “assistam”, “você não conseguirá parar de assistir”.

As resenhas do Netflix da ex-governante, empatou com as declarações do filho do candidato a governante (clique aqui para entender). O que me leva a entender que o tal canal é foda! Mexe com o passado e o futuro. E pena não conseguir compreender a palavra resiliência, gostaria de entender seu verdadeiro sentido.

As minhas orações para as resenhas do Netflix

 

Rezo para que os críticos de cinema ou séries retomem seus postos urgente. Lembro-me como era legal, folear uma revista, ou ir direto no caderno de cultura dos jornais e revistas para ler uma boa resenha sobre o assunto. As resenhas do Netflix estão tão longe de explicar sobre o real sentido, ou as pessoas não entendem mais nada, e só falam bobagens. Vai saber. Só na segunda temporada, talvez.

Imagem: Tina Rataj-Berard via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

A discrepância da vida a dois

A discrepância da vida a dois

Minha relação com Marina é de pura sinergia. Gosto de usar essa palavra. Ela emprega o significado certo para nosso namoro. Nos encaixamos bem, e durante algum tempo definia nosso chamego com pura simetria. Um vício antigo meu: usar adjetivos impactantes, ou diferentes.

Marina não gostava muito da minha retórica, na verdade, ela nem foi muito com minha cara na primeira vez que nos vimos. Ela me achou chato. Como conquistei ela? Não sei, as coisas foram acontecendo. Fazíamos parte de um grupo que ajudava pessoas carentes. Ela participava por opção. Já no meu caso, tratava-se de uma pena alternativa por um crime de trânsito que cometi. Não vale estragar a história com esses detalhes.

Sempre chegávamos cedo no prédio da ONG. E enquanto aguardávamos os outros chegarem, íamos conversando. Um dia descobrimos que gostávamos da mesma banda. No outro, partilhávamos de ideias políticas. No fim, estávamos viciados em conversar.

De repente compúnhamos uma dupla dedicada em ajudar os necessitados. Sempre apresentávamos novas ideias para tornar o serviço legal, o que logo despertou o interesse de outras bases da ONG. Nas estradas desse imenso país, saímos oferecendo boas práticas. Nem sempre conseguíamos boas acomodações. Nosso primeiro beijo, estávamos deitados em sacos de dormir, num chão frio. Nossa conversa fluía… Nem conseguia me concentrar no assunto, apenas no sibilar das palavras e da respiração que produzia.

Foram beijos longos naquela noite. E os que vieram nos dias seguintes, foram bem mais intensos. Acho que veementes soa melhor. Beijos sôfregos, como se o mundo fosse acabar. O lance todo era tão surpreendente, que demoramos um bocado até a primeira transa. Nada nos impedia, mas acho que aquela novidade era tão autossuficiente, que nem pensávamos no sexo.

Porém, existe algo muito mais eficiente que o pensamento no sexo: a fisiologia do corpo. E assim, como a falta de planejamento do primeiro beijo, foi nossa primeira transa. Lembro de todos os detalhes. Havíamos acabado de chegar num restaurante para almoçar. Falamos coisas bobas sobre o tempo, comida, etc… E numa sintonia (simetria e sinergia) pedimos a conta quase em coro. Pegamos um taxi para meu apartamento. Subimos desesperados as escadas. Segundos inquietantes para fechar a porta.

Evidente que a cama estaria muito longe para alcançarmos, o sofá e o chão seriam mais apropriados para tamanha inquietação. Engraçado como não consigo esquecer a estampa da calcinha que ela usava, mesmo depois de tantos anos.

Hoje ela falou em casamento. Tudo bem que lá se vão 5 anos, porém, não sei… O receio do fim dessa simetria/sinergia me assombra. E brigamos feio dessa vez. Sobraram palavras como “covarde”, “medroso”, “estúpida”, “cala a boca”. Talvez ela esteja certa e devamos bagunçar um pouco as coisas. Essa coisa de adjetivos complexos, não funcionarão a vida toda. Uma hora a sinergia precisa dá lugar a discrepância da vida a dois.

Imagem: Wolfgang Hasselmann via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

O verdadeiro sentido da resiliência

O verdadeiro sentido da resiliência

– Tenho medo de falar em público. Por que será?

– Acho que deve ter algum trauma de infância.

– É… Bem provável… O que acha que devo fazer?

– Voltar ao trabalho, antes que o chefe nos demita.

Nunca tinha respostas para certos assuntos, mas as pessoas insistiam em conversar comigo. Pensavam que era uma espécie de intelectual, só porque estava sempre com uma revista na mão. Nem se davam ao trabalho de ver o assunto das revistas que lia. Eram na maior parte publicações que falavam de casa e construção. Mas, imagino que ler revistas, livros ou qualquer coisa palpável esteja tão em desuso, que termino recebendo título de intelectual.

– As próximas eleições o cara é Jardel. Ele tem uma plataforma política das melhores que já vi. O que você acha?

– Eu não voto. Meu título foi cancelado. Devo uma multa alta a Justiça Eleitoral.

– Você é louco cara? Não sabe o mal que te faz? Ainda por cima pessoas omissas como você prejudicam o futuro do país!

– Foda-se.

Não tinha problema em ser considerado uma pessoa estúpida, ou desqualificada. Viver com um salário-mínimo me qualificava em ser um desqualificado. Também sou um mentiroso, é claro que tinha título de eleitor válido. Queria me livrar do chato que sempre vinha com esse papinho de merda.

Era difícil encontrar uma pessoa que quisesse conversar sobre casa e construção. Que se interessasse em novas tendências de ambientes decorativos, ou até mesmo qualidade de conexões hidráulicas. Por isso, passava meus domingos visitando os homes centers na cidade. Fazia questão de ler as embalagens dos produtos e vê as novidades do segmento. Alguns vendedores já me conheciam, e nem vinham mais em minha direção. Momentos de paz.

– Já te falei que tenho fobia de falar em público?

– Não.

– Pois é… Não sei o que me dá… Acho que deve ser algum trauma…

– É bem provável.

– Você não dá a mínima, não é?

– Exatamente.

Imagem:  Jon Tyson via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira