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– É retangular?

– Não… É quadrado.

– Essas suas charadas geométricas são insuportáveis!

Sem dúvida minhas brincadeiras com formas geométricas estavam cansativas, porém era única forma que conhecia para me divertir.

Às vezes me sentia um tolo, na verdade quase sempre. Meus namoros não duravam… Evidente que devido ao meu comportamento infantil.

– Por que você é tão criança? Quero me casar e ter filhos…

– Eu gosto de crianças…

– Percebo… Seus amigos de dez anos não saem daqui… Vivem nesta droga de vídeo game…

Acho que elas têm é muita inveja, porque mesmo adulto conservo minha jovialidade, coisas que aprendi gostar na infância e adolescência.

– Como você quer me convencer com essa sua argumentação sobre questões existenciais, se toda sua base de leitura é montada a partir desse mundo de revista em quadrinhos que você lê? Você nunca vai amadurecer? É tão difícil você provar que me ama crescendo?

O que precisava fazer para provar que amei todas elas? Não tenho culpa de enxergar a vida de outra forma. Todas as minhas contas estavam em dia, mesmo não precisando sair para paga-las.

– Eu te amo! Não me deixas!

– Não posso continuar com você… Não me tratas como mulher… Queres que seja tua mãe… Preciso de um homem que cresça comigo, não de um pivete que precise ficar controlando a quantidade de doces e refrigerante que ele está consumindo.

– Não é minha intenção, juro…

– Ah! Para com isso! Não se jura uma coisa dessas…

Essa sequência se repetia. Até encontrar outra louca que gostasse de mim. Entendia o tempo que passava, mas não me convencia que devia mudar. Ter filhos fazia parte do meu plano futuro, talvez, não saberia como viver com eles. Primeiro deveria aprender a me relacionar com as mães deles. Pensamentos soltos que me vinham. Elas deviam ter certeza, esse comportamento inconsequente não me renderia muitos louros. O que restava para mim? Chorar, sofrer e esquecer. E esquecer terminava sendo a coisa mais fácil.

 

Imagem: Pawel Kadysz via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

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