Escolha uma Página

T.O.C. Não gosto da nomenclatura. Ter qualquer obsessão é assustador. A palavra obsessão me lembra filmes de terror. “Compulsivo”, talvez seja um pouco. Na verdade, sou organizado. Excêntrico, para alguns.

Suzana surtou quanto entrou em casa e me viu retirando a cobertura da parede. O reboco está mal-acabado, cheio de imperfeições. Decidir refaze-lo. Suzana não aceitou muito bem. Ali foi o marco para nosso divórcio.

Pena que ela não viu minha obra de arte completa. Uma parede lisa, bem-acabada. Depois dela refiz toda a casa. Aos poucos me tornei um expert em construção civil, autodidata.

No trabalho:

– Tony, a equipe tem reclamado de surtos cara… Você precisa de tratamento.

– Maurício você me conhece, sabe que faço o melhor para empresa. Prezo pela organização.

– Mas, você advertiu uma funcionária por causa de um papel amassado!

– Era um documento importante.

– Que porra de documento! Um papel que ia ser jogado no lixo. E tira a porra dos olhos das minhas canetas jogadas na mesa!… A mesa é minha organizo essa porra do meu jeito!

Eles não enxergavam o caos naquilo tudo. O que tinha de errado em ordenar as coisas?

Em casa:

Já não recebia mais ninguém em casa. Na verdade, os amigos não queriam mais vir. Alguns se chateavam do meu rigor na hora de servir um vinho, e degusta-lo. Ou de minhas recomendações à mesa. Enfim, só queria o melhor para todos, pena que eles não enxergavam, só eu.

Refazer o banheiro era necessário. Um fim de semana prolongado era o ideal. Derrubo e já começo a levanta-lo. O que há de mal em ser assim?

Imagem: Florian Klauer via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

Comentários

comentários