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À beira do abismo tudo fica mais perto. Quando falo “tudo” me refiro à memória. As nossas lembranças sempre nos acompanham nessa parte final da vida.

E era isso que acontecia comigo, enquanto olhava para o fim daquele desfiladeiro: lembranças.  Não me faltava coragem para pular, é que naquele instante me vinham passagens boas que vivi.

Andei por minutos, talvez horas. Lembrei-me de minha juventude, dos meus amores, das minhas glórias… No final fui vencido por meu câncer. E foi quando estipulei o futuro que tomei fôlego e pulei.

E durante a queda via o quanto o futuro era ruim. Observava que um rochedo mais à frente me causava mais espanto do que o último.

E o suor que escorria cada vez mais; minha saliva que se esvaia e a cada instante a vida acabava.

Foi assim meu dia no abismo.

Imagem: Juan Davila via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

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