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Minhas amigas enchiam o saco com esse negócio de ser mãe. Simplesmente nem todas as mulheres nasceram para maternidade. Faço parte desse grupo.

Criança é bonitinha tal… Mas, nem de boneca gostava de brincar, e num brinquedo de verdade é que não toparia mesmo.

André também não entendia isso. E mesmo apaixonada por ele, decidi que não aceitaria o pedido de casamento que ele me fez ontem. Não queria passar anos ao lado de um cara que iria me aporrinhar para ter filhos.

Já chorava antecipadamente. Não sai do banheiro do escritório durante o dia. Os colegas de trabalho tentavam entender o meu pranto, mas, nem estendia muito na conversa. Apenas dizia que estava “triste”.

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As férias me ajudaram a chorar menos. A decisão tinha sido minha, então devia encarar melhor o término. Constrangimento foi dividir as coisas, não imaginei que ele fosse tão mesquinho. O cara fez questão por quase tudo, até pelas plantas. Pulei uma enorme fogueira no fim das contas.

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De volta ao trabalho, logo na primeira reunião, recebo a notícia que serei promovida. Numa reunião com alguns membros da diretoria, sou presenteada com a informação e o motivo: a antiga chefe será mãe, e decidiu dedicar-se inteiramente a maternidade.

Já no fim alguém me pergunta “e você planeja ser mamãe quando?”.  Enchi os pulmões e berrei: “Não quero ser mãe! ”.

Imagem: Oscar Keys via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

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