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Não existe nada melhor do que polemizar. É fato.

É só abrir o jornal, ou melhor, é só abri uma aba num site de notícias, vão estar lá cabeçalhos apocalípticos. Não quer dizer que a notícia é sobre o fim do mundo, mas isso é apenas um detalhe.

Comentários polêmicos também são formidáveis. Eles assumiram de vez o lugar da verdade. Não importa o que fale, o comentário do público vai ser mais criativo e inteligente, e seu texto, por exemplo, fica em segundo plano.

Outro dia vi um cara chamar de fascistas e nazistas, artistas que recorrem a fundos do governo para montar filmes e peças de teatros. (Um pouco exagerado, ficaria melhor chamá-los de aproveitadores, ou algo próximo). E claro o mesmo cidadão finalizava com “quero a volta da ditadura”. Pura polêmica, baseada no complexo de inferioridade. Ele precisa concentrar atenção em suas ideias impactantes. O mais legal é que o rapaz tem uns vinte anos, e certamente nunca passou fome, o que lhe dá toda nutrição necessária para posição tão conservadora.

Mas, na verdade a polêmica nada mais é controvérsia. E sua extensão de significado nos leva ao debate. Os dicionários precisarão adicionar mais um significado: boato mais alto.

Hoje acordamos com a notícia de um senador (explicitamente corrupto) recebendo a liberdade pelos seus iguais. Isso não é mais polêmico.

Antes de ontem, parlamentares votaram na surdina a liberação de bancarem sua própria campanha, favorecendo os que tiverem mais grana. Desde quando isso é polêmico?

O aplicativo mais popular do país oferece a localização de seu amigo, ele não poderá mais te enganar dizendo “tou quase chegando”. Um mapa te mostrará exatamente onde ele está. Absurdo isso, eu mesmo não gostei. Isso sim é polêmico.

Imagem: Photo by Lin Zhizhao on Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

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