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Fazer as pessoas sorrirem é difícil. Principalmente nos dias de hoje, todo mundo sabe de tudo, conhece todas as piadas.

Não me arrisco a contar piadas. Tenho medo de esquecer o texto. Deixei de fazer teatro por esse motivo: memória fraca.

O improviso no meu caso era regra. Atrapalhava meus colegas de cena. Dia desses me convidaram para uma peça, o papel era pequeno, pouca fala. Topei.

Era uma comédia. Texto legal, me diverti mais lendo, do que assistindo os atores principais. Eles não sabiam fazer humor. Só estavam ali porque pagaram. E enquanto estávamos num barzinho comemorando a primeira noite de espetáculos, do nada, comecei a gargalhar. Claro que estava bêbado. Era outra coisa que não sabia fazer: beber.

Quando me perguntam o que é humor, sempre respondo que é algo ligado ao estado de espírito. Ninguém nunca gosta da resposta. Todos querem algo um tanto teórico, que aponte referências da comédia, filmes clássicos.

Realmente ser ator de humor ou comédia (tanto faz para mim) tem que estudar. Buscar referências. Não gosto de estudar, por isso não sei fazer rir.

Novamente me chamaram para encenar outro papel. Esses caras acham que tenho talento. Não estou nem aí para isso. Mas, eles não entendem. Resolvi tentar mais uma vez.

A primeira noite do espetáculo, a casa lotada. Críticos dos principais jornais e revistas. Esqueci boa parte do texto, mas no final tivemos aplausos. Insatisfeito fui para casa.

Dia seguinte pego o jornal e está lá: “o retorno do excelente ator”, “memorável atuação”, “espetacular”. “É isso sim é uma grande piada”, pensei.

Imagem: Jad Limcaco via Unsplash

Texto: Tarcísio Oliveira

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