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O que é um coreto?

O que é um coreto?

– Pai o que é um coreto?

– É um… É tipo um… É como se fosse… Puxa como posso ilustrar?… Parece um pequeno teatro. Por quê?

– Escutei vovó dizendo “fulana só vem pra bagunçar o coreto”.

– É uma expressão quase em desuso, quase não existe mais coreto.

– Queria ver um.

– Caramba! Sei onde tem um, mas não sei se ainda continua de pé.

– Podemos ir lá agora?

– Claro.

E andaram pai e filha, de mãos dadas. O pai feliz pela curiosidade da filha adolescente, surpreso afinal de contas, a moça ao contrário da tendência preferiu buscar a informação com ele, e não pela internet. A felicidade da filha era maior, via seu pai com um semblante de satisfação plena, sentia o calor das mãos, achou até que sentirá o pulsar de seu pai. Três quilômetros foram cortados por eles sem incomodo algum. O pai se fazia de guia, contava o máximo de histórias que se lembrou daquelas ruas. Ruas de sua infância, ele apontava o lugar que existira uma loja de moer e empacotar café, dizia o quanto se deliciava ao senti o aroma. E na frente da casa mal assombrada de Dona Lourdes perderam alguns minutos, pois ali, quase com lágrimas nos olhos, o Pai narrava estripulias que ele fizera com seus amigos.

***

Um guia explicava aos turistas a história da praça. Pai e Filha acompanharam as explicações, e ela usou celular para registrar o coreto. Não seguiram com o grupo, eles seguiram para explorar mais o espaço, eles permaneceram no coreto. O Pai tentando manusear aquele aparelho escorregadio, e a Filha posando para fotos.

Por fim ela se centrou no pequeno palco e improvisou:

Ao meu pai com muito carinho improviso este verso,

Numa tarde tão linda e feliz

Sonhei em ser imperatriz

Mas, terminei sendo uma atriz

Numa peça de um homem só

Mas, somente um homem ele não era

Era mais do que isso

É aquele capaz de tudo

Para me deixar feliz.

E mesmo sem rima alguma

Longe de mim lhe proibir de suas vontades.

E grito bem alto: TE AMO!

Os dois correm e se abraçam aos pés do coreto, descobrindo afinal o “que é”, e para “que serve”.

Fotografia e texto: Tarcísio Oliveira